LOUVOR: MANTENDO ACESO A CHAMA!

Eis um tema muito badalado em nossos dias, principalmente entre evangélicos e católicos carismáticos. Apesar de se explorar o assunto quase à exaustão, pouco do que tem sido dito possui fundamento teológico sólido ou mesmo uma argumentação racional.
Acredita-se, por exemplo, que o louvor liberta. Porém, o que Jesus ensina é que a verdade que nos liberta. Não podemos atribuir ao louvor ou à adoração um poder místico, capaz de mover os braços de Deus. Seria como atribuir onipotência àqueles que O louvam e adoram.
    Lembremo-nos que nosso culto a Deus deve ser racional, isto é, deve passar pelo crivo da razão. Não podemos cultuá-lO apenas com a emoção. Um culto racional é aquele em que se sabe o que está fazendo. Não se trata de uma histeria coletiva.
    As pessoas gesticulam, usam palavras de ordem, jargões oriundos do evangeliquês, se emocionam embaladas pelas melodias, mas não compreendem a verdadeira razão do louvor e da adoração.
    Em um artigo anterior, explicamos a razão pela qual devemos adorar a Deus. É pela adoração que nos tornamos cada vez mais parecidos com Aquele que é nosso principal referencial (Sl.115:8).
    Toda adoração começa com contemplação. Ora, contemplação exige quietude. E quando nos aquietamos, e contemplamos, pela via da meditação, os atributos da Divindade, sentimo-nos impelidos a adorar. Pense em alguns dos atributos de Deus: justiça, santidade, amor, fidelidade… Olhamos para Ele e enxergamos a beleza de Seu caráter santo e imutável, ao mesmo tempo em que olhamos para nós e enxergamos nossa finitude, nossos pecados, nossa ambiguidade. O contraste constatado nos leva a uma completa rendição. Por isso, nos prostramos, ou levantamos as mãos, em sinal de completa rendição . Não há promessas a serem feitas. Não adianta dizer que um dia alcançaremos perfeição através de nossos próprios esforços. Não temos alternativa, senão nos render, e admitir nossa fraqueza e incompetência. É daí que brota a adoração.
    Nós O adoramos por aquilo que Ele é, e que jamais seremos, caso dependamos de nós mesmos. Há, então, uma completa submissão à Sua graça. E a partir daí, somos transformados de glória em glória, tornando-nos cada vez mais parecidos com Jesus, nosso protótipo e ideal.
    E quanto ao louvor? Haveria alguma diferença entre louvar e adorar?
    Adoração deve ser exclusiva para Deus. Lembra do que Jesus disse a Satanás na tentação no deserto? “Somente ao Senhor adorarás…”. Qualquer coisa que tome o lugar de Deus em nossa vida pode ser considerado ídolo.
    Podemos amar as pessoas, mas jamais adorá-las. A linha pode parecer tênue, porém há uma maneira de distinguirmos o amor e a adoração. Basta perguntarmos se nossa relação com algo ou alguém se tornou numa relação de total dependência. Se concluirmos que não conseguimos viver sem aquilo, ou sem aquela pessoa, então o que era amor tornou-se veneração.
    Recentemente ouvi uma canção que diz “Quero amar somente a Ti, Senhor”. Deus jamais exigiu que amássemos somente a Ele. Pelo contrário, Ele deixou claro que deveríamos amar a Ele em primeiro lugar, mas também deveríamos amar aos nossos semelhantes, ainda que fossem nossos inimigos. Portanto, essa canção ficaria melhor se dissesse: “Quero amar primeiro a Ti…”
    Adorar? Só a Deus! Amar? Primeiro a Deus, e depois aos demais. E louvar? Deveríamos louvar somente a Deus?
    Leia o que diz o sábio Salomão: “Louve-te o estranho, e não a tua boca…” (Pv. 27:2). Fica claro aqui que podemos louvar a outras pessoas, além de Deus. O que não podemos é louvar a nós mesmos. Aliás, o próprio Deus também nos louva! Duvida disso? Leia: “Pois não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas sim aquele a quem o Senhor louva” (2 Co.10:18). Incrível, né?
    Acerca da mulher virtuosa, Salomão escreve: “Levantam-se os seus filhos, e lhe chamam bem-aventurada; o seu marido também, e a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas és superior” (Pv. 31:28-29).
    Portanto, o que haveria de errado com os filhos que louvam sua mãe? Ou com o marido que louva sua esposa? Nada! Fique tranqüilo que Deus não fica inciumado.
    Louvar nada mais é do que “falar bem”, o mesmo que “bendizer”.
    Quando louvamos a alguém, estamos com isso estimulando àquela pessoa a prosseguir, realçando suas virtudes e qualidades.
    Será que Deus necessitaria de elogios? Será que Ele precisaria ser estimulado pelos nossos louvores? Absolutamente, não. Então, por que devemos louvá-lO?
    Davi nos revela um dos motivos:
    “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios” (Sl.103:2).
    Quando bendizemos ao Senhor, nossa memória é refrescada, e nos recordamos de todo bem que Ele tem feito à nossa alma.
    Infelizmente, as pessoas tendem a esquecer facilmente das coisas boas, e a lembrar somente das coisas ruins. Ninguém coloca fotos de episódios tristes da vida em um álbum de fotografia. Você já viu alguém contratar um fotógrafo pra registrar o sepultamento de um ente querido? Imagine, ao abrir o álbum de uma família, dar de cara com as fotos de um caixão… Há momentos que a gente prefere esquecer. Mas eles nos acompanham pelo resto da vida.
    Já as coisas alegres precisam de um registro, seja fotográfico, ou escrito, para que jamais nos esqueçamos deles.
    Louvar a Deus é resgatar em nossa memória os momentos felizes que Ele nos tem proporcionado. E não só isso. É relatar Seus grandes feitos ao longo da História.
    Já ouvi pregadores dizerem que Deus não vive de glória do passado. Ledo engano. Para Deus não há passado. E não é Ele que precisa ficar relembrando Seus feitos. Somos nós que desesperadamente necessitamos disso. Por isso, O louvamos, trazendo à memória aquilo que nos traz esperança.
    Até a Santa Ceia, ao ser instituída, tinha como propósito ser um lembrete da grande obra realizada na Cruz.
    Há ainda uma segunda razão porque temos que louvar a Deus. O salmista Asafe explica:
    “…o que ouvimos e sabemos, e os nossos pais nos contaram. Não o encobriremos aos seus filhos; mostraremos à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez (…) para que a geração vindoura a soubesse; até os filhos que ainda haveriam de nascer, e eles, por sua vez, a contassem a seus filhos. Então poriam em Deus a sua esperança, e não se esqueceriam das obras de Deus, mas guardariam os seus mandamentos” (Sl. 78:3-4,6-7).
    Cada nova geração chega ao mundo em completa ignorância e analfabetismo acerca dos feitos de Deus. Compete àqueles que vieram antes, relatar Suas obras através dos louvores. Nada pode se perder. Devemos relatar o que Deus fez em nossa própria geração, como também o legado que nos pais nos deixaram. Esta é a maneira de mantermos a chama viva.
    Gosto de contar a meus filhos a maneira como Deus usava, tanto seu bisavô, Albino Pereira de Carvalho, como seu avô, Cecílio Carvalho Fernandes. Gosto de ver a expressão em seus rostos, enquanto relato as obras feitas pelo Senhor em gerações que os antecederam.
    Isso cria em seus corações uma expectativa de que o mesmo Deus que operou no passado, está sempre pronto a operar em seus dias, bem como no futuro remoto. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente.
    Portanto, louvemos ao Senhor. Não poupemos palavras para relatar Suas proezas, e acreditemos piamente que Ele tem obras ainda maiores a realizar em nossos dias.
    Adoremos pelo que Ele é. Louvemos pelo que Ele fez, faz e fará.
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