Desconectando Pessoas

Manoel dC
Hoje em dia é normal a gente chegar a um local onde tem muitas pessoas aglomeradas, em um jantar de confraternização, um aniversário, festa ou reuniões similares e perceber que cada um está confinado a um muro invisível de impessoalidade, olhando fixa e hipnoticamente para um pequeno objeto escondido na mão, manuseando com dedos velozes o seu celular, o seu Ipad, seu Ipod, seu Iphone, seu Blackberry ou qualquer novo apetrecho tecnológico do momento… Estão navegando alto nas redes sociais, se “comunicando” pelo Orkut, abrindo a vida e escancarando o coração pelo Facebook, pelo Badoo, LinkedIn, Flixster, MySpace, Twitter (esqueci algum?) e “chat-ando” no Gtalk ou no MSN, e você verificar estarrecido, que mesmo estando em grupo, circundados de gente real, não estão nem aí para as pessoas reais de carne e osso que estão ombreando com elas, sentadas à mesa do restaurante, da sala de jantar, ou ao lado no sofá.

O que está acontecendo? Creio que a resposta não é simples, mas passa pela comodidade da rede em fornecer o resguardo nas sombras do anonimato, o que um confronto téte à téte tornaria bem mais difícil. Penso também que as pessoas emergiram nessa em-si-mesmice viral, porque existe uma enorme necessidade de autopromoção como produto de uma imensurável carência afetiva em questão, uma necessidade das pessoas se sentirem reconhecidas e valorizadas, e por isso, põem seus feitos e suas realizações na rede com a intenção de mostrarem o quanto são criativas, originais e antenadas com o mundo.

Creio que ainda é tempo de nos redimir dessa falta de respeito, dessa desatenção pouco educada, desse exibicionismo do ego, e criarmos um dia da abstinência de tecnologia virtual, um dia desconectado, e proclamarmos o tempo da libertação da dependência eletrônica e informática.

Um dia quando deixaremos de lado o laptop, o PC, o celular, a televisão e o vídeo game para darmos mais tempo e atenção à família, a passarmos um momento de conversa descontraída com o pai, a trocarmos figurinhas com nossos irmãos, a curtir um período de tempo qualitativo com o filho, a reunir em um café com amigos, a conversar sobre assuntos comuns na hora da refeição, em fim, a dar atenção, cuidado, e canalizando o interesse para quem está disponível ali, do nosso lado.

Sei que muitos vão sofrer de delirium tremens, sentir vertigens e ter visões alucinógenas (desculpem aí o exagero…) por causa do período de desintoxicação, mas valerá a pena o esforço!

Aí, consequentemente se sentirá o alívio da liberdade do falso sentimento que o relacionamento virtual pode suprir suas necessidades emocionais, relacionais e espirituais, mesmo que para isso você pusesse um GPS que rastreassem todos os seus passos para saberem “de bandeja” não só o que faz e pensa, mas onde está, e revelasse toda sua criatividade, todos os seus segredos, seus gostos musicais, estilo pessoal, tendências, opiniões sobre política, sobre o mundo, sobre a vida e espremesse o cérebro para extrair as frases mais engraçadas ou inteligentes que pudesse expressar, para descobrirem assim, todo o seu potencial humano, todo o seu charme, tudo isso, no entanto, não seria suficiente para preencher o vazio da solidão da alma e a falta de significância para se viver bem.

Termino, sugerindo a você que abra As Escrituras e aprenda com Jesus de Nazaré, Aquele que priorizava as pessoas, e canalizava a atenção através do olhar compassivo aos que se esforçavam para ter contato direto com Ele, e assim, termos igualmente um relacionamento aberto, amoroso e sem pretensão ou segundas intenções com os que nos cercam. Apenas amá-los incondicionalmente, até as últimas consequências. Como Ele fez…
 Desafio você, a juntos, descobrirmos o caminho da discrição, da modéstia e da sobriedade, descobrindo ali a essência do que Ele falou: Ignore a tua mão esquerda, o que faz a tua mão direita.
Jesus, nosso Mestre por excelência, é exemplo para nós de comedimento, quando recusou inúmeras vezes a publicidade de seus feitos e proibiu as pessoas que curou de divulgarem ao povo os seus portentos irrefutáveis.

Ademais sobre tudo que falei, não pense você que sou contra utilizar-se das novidades eletrônicas e das conveniências modernas da informática, antes apelo para que sejamos mais sábios, mais sóbrios e busquemos o caminho do equilíbrio, não só nesse assunto, mas em todos os espaços de nossa existência.
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