JÓ – Sinceridade e paciência

“Longe de mim que eu vos justifique; até que eu expire, nunca apartarei de mim a minha sinceridade” Jó 27:5.

INTRODUÇÃO: A sinceridade e a paciência foram marcas do caráter de Jó. De fato, foi um homem que soube portar-se dignamente na presença de Deus e perante os seus semelhantes. Sinceridade quer dizer, pureza de caráter, através de uma conduta de vida translúcida. O termo surgiu da fabricação de vasos de cera. Na antiga Roma, oleiros fabricavam vasos de barros para serem vendidos no comércio, a fim de se colocar líquidos: mel, azeite, gordura animal, água, etc.
    Quando o vaso era levado ao fogo, alguns rachavam, e para não perder o trabalho, o oleiro enchia as rachaduras com cera da cor do barro. Dava polimento e o defeito ficava imperceptível. Ao ser colocado o líquido, principalmente quente, a cera se derretia e vazava tudo.
    Na próxima compra o freguês dizia: quero vaso sem cera sem (sine-cera). Daí nasceu o vocábulo “sincero”, em português.
    A cera serve apenas para camuflar rachaduras, mas vindo a prova, a realidade aparece. Por isso, devemos ser sinceros, sem disfarces, porque dia seremos descobertos, nem que seja no juízo final (Eclesiastes 12:14).
    Essa qualidade envolve toda uma vida de pureza, retidão e temor, virtudes que se revelam em todo o modo ser da pessoa, quer na vida secular, quer na cristão-religiosa. Jó, embora sere uma pessoa de posses materiais (pois a Bíblia declara que era o mais rico da terra de Uz, sua terra natal que ficava na cabeceira do Mar Vermelho), não deixou influenciar pelos seus bens, porém, manteve sua integridade religiosa, colocando Deus acima de tudo. Entendemos que sua posição social não interferia no interesse pela vida religiosa ativa e de plena comunhão com o Eterno. Diferente de tantas outras pessoas que de ânimo fraco, quando adquirem alguma coisa a mais, relaxam na vida cristã. O ambiente da comunidade religiosa já lhes parece importuno. Mas graças a Deus podemos dizer também, que Jó, nesses aspectos, ainda está vivo em muitos de nossos amados irmãos.
    Não temos dúvidas de que nesses moldes, será também a de um crente paciente, aquele que tem a paciência como resultado de fé e da esperança postas em Deus.

I – EXEMPLO DE SINCERIDADE

    Quem conheceu e testemunhou da sinceridade de Jó, foi o próprio Deus. Satanás, o inimigo do povo de Deus, quis provar que Jó só era sincero enquanto abastado e cercado de amigos. Foi-lhe permitido fazer essa prova. Nós sabemos a forma que o inimigo usou para atingir o seu intento. Mas foi derrotado, porque ficou provado que havia na terra homens realmente sinceros. Os adjetivos usados pelo SENHOR eram o resultado do caráter de Jó: homem sincero, reto e temente a Deus, que se desviva do mal; de fato uma vida transparente. A sinceridade, a retidão e o temor s e revelam na aceitação dos ensinos da palavra de Deus e consequentemente, na prática desses ensinos. Isto ficou provado nos capítulos 11: 13,14; 22:21-28 do livro de Jó.
    A certeza de Jó na bênção e na misericórdia divinas, era tão segura, que num momento de meditação, ele dá um grito de esperança: “Eu sei que meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (19:25). Mesmo nesta vida ele pode ainda ver as maravilhas do SENHOR, quando o sofrimento passou. Que maravilha! Deus se agrada da sinceridade!
    A experiência de Jó deve ser um exemplo de vida cristã para todos os servos de Deus. “O que anda na sua sinceridade, teme ao SENHOR… (Provérbios 14:2), o verbo andar é muito usado na Bíblia para mostrar o comportamento do povo de Deus. Veja, por exemplo, o Salmo 1:1, onde “bem-aventurado é aquele que não anda segundo o conselho dos ímpios”. Tenho em vista o proceder que agrada ao SENHOR, mais tarde disse Davi: “andarei em minha casa com um coração sincero” (Salmo 101:2). Paulo ensina a sinceridade como uma proteção contra os escândalos e, finalmente, que ela deve fazer o crente brilhar como astro, mesmo num mundo entenebrecido como este.
    Se esse é o caminho das bem-aventuranças, por ser conforme a vontade de Deus, andemos por ele para termos a mesma esperança de Jó: o nosso Redentor vive e breve surgirá sobre a terra para levar com Ele os que foram sinceros.
II – A PACIÊNCIA
    Vejamos o significado de paciência “resignação, perseverança tranquila”. A resignação ensina a renúncia e a sujeição paciente às amarguras da vida. Perseverança tranquila, só mesmo a quem é paciente. Assim entendemos que a paciência é uma maneira de ser da pessoa. Ela não se agita, não se exaspera, não se desespera, mas tem dentro de si um espírito manso, calmo, confiante e tranquilo. Essa condição capacita e prepara a pessoa para enfrenta com serenidade as amarguras e vicissitudes da vida, de maneira a vencer esses momentos com a certeza de que eles são como a nuvem que passa e deixa o sol brilhando.
    O testemunho dos irmãos dos primeiros séculos aí está mostrando que com paciência e perseverança souberam enfrentar as lutas daqueles dias, e ainda puderam trabalhar testemunhando do Salvador Jesus.
    Desses cristãos, que acreditamos existiram e existem hoje, é que a Bíblia declara: “Aqui está a paciência dos santos…” (Apocalipse 14:12a). Eles foram vistos por João como os vencedores na batalha deste mundo. “Na vossa paciência possuí as vossas almas”, afirmou Jesus (Lucas 21:19).
    É dever de cada cristão pedir a Deus essa qualidade, buscando-a com insistente paciência, que o SENHOR a dará. (Salmo 40:1).

III – MATURIDADE CRISTÃ
    Quando se fala em maturidade pensa-se naquela pessoa equilibrada, capaz de discernir e conhecer o bem e o mal, aquilo que é melhor. Há muitas coisas que acontecem na vida de uma pessoa que podem provar o seu grau de amadurecimento. No caso de Jó temos um exemplo sugestivo, porque sendo abastado, homem de recursos, e de repente uma tempestade de acontecimentos negativos atinge suas propriedades, seus filhos, deixando-o praticamente empobrecido. Que fez ele? Diz o texto (Jó 1:20-21) que adorou ao SENHOR, depois de reconhecer que tudo vinha de Suas mãos. Em nada disto ele pecou. Era uma pessoa de comportamento sereno, seguro, tranquilo, portanto, amadurecido. Como lemos em Lucas (1:5,6), Efésios (4:13-16) e Hebreus (5:14), todo o crente precisa atingir esta estatura , tanto na vida secular quanto cristã, para estar também seguro, demonstrando confiança e serenidade em todas as suas ações, como pessoa que sabe o que quer.
    Em Hebreus aprendemos que a experiência de cada dia, contribui para o amadurecimento do caráter. Desejamos ardentemente que os irmãos busquem este crescimento, para atingirem a estatura completa de Cristo. Nessa busca, vai o crente aperfeiçoar a sinceridade, o temor e a paciência, preparando-se para o reino eterno com o SENHOR Jesus – o nosso Redentor.

 Autor: Pr. Genésio Mendes
Fonte: “O Ensino que vem do Passado”, série de lições bíblicas do 3º Trimestre de 1993.

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