Uma história de superação. #SetembroAmarelo

Olá, galera! Tudo bem?

Hoje é o último dia de setembro e para encerrar a campanha de prevenção contra o suicídio (conhecido como Setembro Amarelo), trago uma história de alguém que conseguiu vencer a tentação de tirar sua  própria vida. Ele compartilha este relato para que assim como ele conseguiu, várias outras pessoas encontram possam também seguir seu exemplo e se superarem também.

Fayson Merege é fotógrafo, conhecido também por ser um “viajante destemido” e pelo seu trabalho social com garis (“Invisibilidade Pública”, cujo livro “Garis” está no Catarse para financiamento coletivo). Eis o seu relato, extraído de seu facebook pessoal:

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Fonte: Facebook pessoal do Fayson Merege.

“Oi, me chamo Fayson Merege e sim, já tentei suicídio 2 vezes. Talvez você não conheça minha história, mas, tentarei resumi-la.
Estou a 6 meses limpo, porém, desde 2010 eu enfrento problemas com a depressão e ansiedade. Foram 5 longos anos de extrema dificuldade em enfrentar essa doença. Eu caí nesse poço principalmente quando minha mãe nos abandonou em meados de 2009. Já havia sofrido com a separação dos meus pais. Sofri com carências emocionais. Com 19 anos eu tive a responsabilidade de cuidar da minha minha vó e da minha irmã. Um “peso” que aos poucos ia consumindo minhas forças porque não sabia por onde organizar a minha vida, não só pelo abandono em si, mas por diversas contas que tinham ficado em meu nome. Eu pensava que não seria ninguém na vida. Tive que trancar minha faculdade e em silêncio ver meus sonhos indo embora.
Eu cheguei a ficar trancado dentre de um quarto por 1 mês. Tive que mudar de cidade. Perdi amigos pela distância. Me encontrei sozinho e sem ninguém pra desabafar. Foram 3 anos assim. A ansiedade acabava comigo, enquanto a depressão me fazia ter vários pensamentos negativos. Eu sofri calado. Minh’alma gritava por socorro. Não é frescura, não é drama, não é exagero, não é vitimismo, não é auto-comiseração. É dor sentida, é angústia reprimida, é desespero calado. É como se você estivesse numa banheira enrolado por papel filme. Você “ouve” vozes que dizem: “Você não vai conseguir” – “Ninguém te ama” – “Você não faz falta”.
Foi aí que tentei meu primeiro suicídio. Tentei me enforcar com um lençol. Infelizmente não deu certo (ou melhor, felizmente que não deu certo). Eu me senti frustado. Aquela sensação de que nem pra se matar você serve. Me senti impotente. Sofri ainda mais com a minha auto-estima. Era nítido a tristeza do meu olhar. A segunda tentativa foi querer pular de uma passarela. Até fui no lugar, me preparei e, quando olhei pra baixo e vi os carros passando fiquei com medo. Entrei em desespero e sentia alguma coisa me puxando pra trás. Não consegui voltar pra casa naquele dia e dormi na rua.
Alguns amigos me ajudaram e eu percebi que realmente precisava de ajuda. Foi então que comecei acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Fiquei com medo de me tornar um dependente da medicação e ter que conviver com isso pro resto da minha vida. Mas eu digo pra você que a medicação pode ser por algum determinado tempo e você não precisa ter medo se precisar desse processo. Precisamos tirar nosso preconceito de que quem faz acompanhamento psicológico/psiquiátrico é louco ou coisa do demônio. NÃO, mil vezes não.
Depressão é uma doença da alma. Não é humilhante pedir ajuda.
Estou vencendo aos poucos essa doença porque percebi que a vida é bela. Comecei a fazer tudo diferente e principalmente não me sentir inferior que ninguém (e essa é pior parte, da qual, ainda estou lutando). Encontrei amigos de verdade que me ajudaram a superar, que me ouviram desabafar sem me julgar. E nós, precisamos ter empatia pelas pessoas. Ninguém sabe quão profunda é DOR do nosso próximo.
Eu espero, do fundo do meu coração que, de alguma forma eu possa te ajudar (seja com esse relato ou numa conversa pessoalmente/virtualmente).”
#SETEMBROAMARELO #AVIDAVALEMAIS

Que esta história seja um exemplo a ser seguido e motive mais pessoas a combaterem e prevenirem da vontade do suicídio.

Até o próximo post!

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